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Embargo ao frango brasileiro prejudica também a carne bovina

Com as incertezas no consumo interno e o aumento na oferta de animais , a arroba do boi gordo caiu 3% nos últimos 30 dias

O embargo Europeu à carne de frango brasileira não prejudicou apenas os avicultores, já que a pecuária bovina também está sentindo o impacto da medida por causa do aumento da oferta de frango no mercado interno e redução da competitividade da carne vermelha, que já vinha sofrendo com o baixo consumo.

Com as incertezas no consumo interno e o aumento na oferta de animais, a arroba do boi gordo caiu 3% nos últimos 30 dias. Por outro lado, o custo de produção voltou a subir com o aumento nos preços do milho e do farelo de soja e esse cenário tem causado perdas em toda a cadeia produtiva.

Em uma fazenda em Boituva, no interior paulista, não chove há 50 dias e a estiagem prolongada reduziu a capacidade de suporte das pastagens, obrigando o pecuarista Mateus Floriu Neto a antecipar a venda de um lote inteiro de animais. “Eles estão em uma fase final de acabamento e precisaríamos de dois meses para colocar no mercado, mas essa seca acaba fazendo com que a gente acelere o animal para a venda”, disse.

O aumento na oferta de animais alongou a escala de abate dos frigoríficos e pressionou as cotações. Por outro lado, as indústrias encontram dificuldade em escoar a produção em função da queda no consumo interno e dos baixos preços da carne de frango.

“Existe a questão do ciclo da pecuária e a gente acredita que a oferta vai crescer 5% no ano fechado, o que provoca uma pressão aos preços. A competição maior com o frango e com os suínos faz o preço da carne de boi cair”, disse o analista de proteína animal do Rabobank, Adolfo Fontes.

Outro fator que preocupa o setor é que o custo de produção subiu novamente e, em maio, a saca de milho voltou a ser negociada acima dos R$ 40 reais em são paulo. Já o farelo de soja registra alta de mais de 25% no acumulado do ano e teve pecuarista reduzindo a capacidade de confinamento de bovinos por causa desses fatores.

“O confinamento é uma saída para quem está com problema de pasto, mas este confinamento atual, por causa do milho, soja e vitaminas que são comercializadas de acordo com o dólar acaba deixando muito alto o custo da produção e inviabilizando esse processo”, falou o Mateus.

Para o analista, o cenário deve ficar mais favorável no segundo semestre, mas ainda assim as incertezas no cenário político e econômico vão trazer oscilação para os preços da arroba. “Os ajustes na indústria de aves já aumentou o preço do frango nas primeiras semanas de maio, o que tira a pressão de preços não interessantes em nenhuma das indústrias. Além disso, temos a expectativa de que a Rússia reabra o mercado para a carne suína brasileira, o que pode trazer um cenário um pouco mais firme para o segundo semestre de 2018”, concluiu.

Mercado gaúcho

E no Rio Grande do Sul a situação é a mesma, com o preço do quilo pago ao pecuarista em torno de 20% menor do que a média dos últimos dois anos.

Na fazenda de Harrison Barcellos, criador de Angus, o último lote foi vendido por R$ 5 o quilo. O ideal para empatar no custo de produção, segundo ele, seria de R$ 5,60. “Há cerca de 2 anos vendíamos esse mesmo boi por R$ 6 o quilo, mas caiu para R$ 5,50 e depois foi para R$ 4,80 em agosto do ano passado, mas no final de 2017 conseguiu voltar para a casa dos R$ 5.

Nos últimos seis meses, o pecuarista gaúcho não viu reação de melhorar no preço. Para tentar mudar a situação, Harrison passou a plantar o próprio milho e aumentou em 20 dias o confinamento. “Modificamos a dieta com especialistas nessa área para que esse animal ficasse um pouco mais tempo no cocho para podermos consumir toda a silagem. Nós tínhamos um projeto para duplicar a capacidade, pois nós temos condições de duplicar a engorda, porém não optamos por isso em função da instabilidade do preço”, disse.

A esperança do pecuarista é de que o preço melhore nos próximos 60 dias, com a chegada o inverno. “Acredito que reaja um pouco, mas esse ano vai ser assim mesmo e já estamos preparados para permanecer na casa dos R$ 5”, finalizou.

Fonte: Ca