{"id":97983728,"date":"2017-09-25T10:22:33","date_gmt":"2017-09-25T13:22:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/?p=97983728"},"modified":"2017-09-25T10:23:16","modified_gmt":"2017-09-25T13:23:16","slug":"carne-carbono-zero-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/carne-carbono-zero-2\/","title":{"rendered":"Carne carbono zero"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_97983730\" style=\"width: 289px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9667.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-97983730\" class=\"size-medium wp-image-97983730\" src=\"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9667-279x300.jpg\" alt=\"\" width=\"279\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9667-279x300.jpg 279w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9667-250x269.jpg 250w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9667-167x180.jpg 167w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9667.jpg 318w\" sizes=\"(max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-97983730\" class=\"wp-caption-text\">Sergio Raposo de Medeiros<\/p><\/div>\n<p>Na semana passada, tive a honra de fazer uma palestra em um dos mais tradicionais eventos t\u00e9cnico-cient\u00edficos, o 28\u00ba Simp\u00f3sio de Manejo de Pastagens da Esalq\/USP. O t\u00edtulo da minha fala era \u201cMitiga\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa em sistemas de produ\u00e7\u00e3o animal em pastagens \u2013 Em busca da carne com emiss\u00e3o zero\u201d. O texto a seguir tem a inten\u00e7\u00e3o de trazer os pontos principais apresentados.<\/p>\n<p><strong>Premissas &#8211;<\/strong> Inicialmente foram colocadas quatro premissas que ajudariam a entender o restante da apresenta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>(1) Pegada de Carbono como m\u00e9trica preferencial: a melhor maneira de apresentar dados de emiss\u00e3o no caso de pecu\u00e1ria bovina \u00e9 em unidade do g\u00e1s de efeito estufa por unidade de produto (Exemplo: kg metano\/kg de carca\u00e7a), pois ele combina a emiss\u00e3o de GEE (g\u00e1s de efeito estufa) com a produ\u00e7\u00e3o animal associada. Essa medida \u00e9 conhecida como \u201cpegada de carbono\u201d;<\/p>\n<p>(2) Quanto melhor a dieta, menor a pegada de carbono: quanto maior o valor nutritivo ingerido pelo animal, menor a produ\u00e7\u00e3o de GEE por quilograma de mat\u00e9ria seca ingerida e menor a produ\u00e7\u00e3o de fezes, reduzindo tamb\u00e9m os GEE associados a este res\u00edduo. Como o maior valor alimentar resulta em maiores ganhos, a pegada de carbono tamb\u00e9m \u00e9 reduzida porque a menor emiss\u00e3o \u00e9 dividida por um valor ainda maior;<\/p>\n<p>(3) O abate precoce ajuda a reduzir emiss\u00e3o de metano: quanto menor a idade de abate, menor a produ\u00e7\u00e3o de metano para cada quilograma de carne produzida. Isso ocorre tanto porque o animal permanece menos tempo emitindo o metano, como porque ele emite menos para cada quilograma de comida que consome;<\/p>\n<p>(4) Maior produ\u00e7\u00e3o das forrageiras resulta em maior produ\u00e7\u00e3o de raiz: h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o de parte a\u00e9rea da forrageira e crescimento da raiz, portanto podemos assumir que, quanto mais produtiva a pastagem, maior a massa do sistema radicular sob o solo.<\/p>\n<p><strong>Manejo de pastagens e mitiga\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> O manejo de pastagens \u00e9 o primeiro ponto onde podemos come\u00e7ar a mitigar a emiss\u00e3o de GEE, isso antes mesmo de plantar a pastagem. Escolher a cultivar adequada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais (fertilidade e condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do solo, clima, risco de pragas e doen\u00e7as, ocorr\u00eancia de alagamento, etc.) resulta em melhores produtividades e ajuda a perenizar as pastagens. Reformas e renova\u00e7\u00e3o de pastagens s\u00e3o grandes contribuidoras da mobiliza\u00e7\u00e3o de carbono do solo e evitar a emiss\u00e3o dessa fonte faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Na lista de a\u00e7\u00f5es para evitar a degrada\u00e7\u00e3o das pastagens destacam-se dois pontos: (1) Evitar o superpastejo, respeitando a altura m\u00ednima determinada para cada forrageira\u00b9 e (2) reposi\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de nutrientes pela aduba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso da altura de pastejo, pastejos lenientes (mantendo o pasto mais alto, com lota\u00e7\u00f5es mais baixas), t\u00eam sido realizados para obten\u00e7\u00e3o de melhores desempenhos individuais dos animais. Esse manejo favorece a mitiga\u00e7\u00e3o de GEE, pois: (a) a melhor qualidade nutricional da forragem resulta em menor produ\u00e7\u00e3o de metano por quilograma de mat\u00e9ria seca ingerida, (b) o maior desempenho reduz o ciclo de vida do animal e (c) a maior massa forrageira corresponde a um sistema radicular tamb\u00e9m maior (ou seja, maior sequestro de C). Em conjunto, essas altera\u00e7\u00f5es resultam em uma pegada de carbono (kg de GEE\/kg de unidade de produto) menor.<\/p>\n<p><strong>Carbono no solo \u2013<\/strong> O C solo possibilita o armazenamento de nutrientes, melhora a disponibilidade de \u00e1gua, aumenta a capacidade de troca de c\u00e1tions, aumenta a biomassa microbiana e melhora a estrutura e porosidade do solo, deixando-o menos suscet\u00edvel \u00e0 eros\u00e3o. Maiores teores de C de solo podem explicar diferen\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o de massa de forragem de 800 ou 900 kg\/ha, por melhor fornecer nutrientes \u00e0s plantas e\/ou ajudar na reten\u00e7\u00e3o da umidade do solo. O interesse em aument\u00e1-lo, portanto, vai muito al\u00e9m do interesse em mitigar GEE.<\/p>\n<p>Pastagens bem manejadas s\u00e3o excelentes ferramentas para aumentar o C no solo e essa \u00e9 uma das grandes vantagens de sistemas integrados de lavoura-pecu\u00e1ria. \u00c1reas com rota\u00e7\u00e3o de lavoura e pecu\u00e1ria tem 30% mais C no solo do que \u00e1reas solteiras. H\u00e1 um n\u00famero razo\u00e1vel de estudos sobre ecossistemas de pastagem nos biomas da Amaz\u00f4nia, Cerrado e da Mata Atl\u00e2ntica, indicando que os solos sob pastagens bem manejadas ou em sistemas de integra\u00e7\u00e3o podem ter n\u00edveis de carbono semelhantes ou superiores \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o nativa,<\/p>\n<p>O potencial de sequestro de C em solos de pastagem est\u00e1 estritamente relacionado ao seu manejo, os solos funcionando como um dreno (= bom manejo) ou emissor (= mal manejo) de CO2 atmosf\u00e9rico. Perturba\u00e7\u00f5es do solo podem resultar em perda de carbono, sendo muito mais f\u00e1cil perder do que aument\u00e1-lo. A prioridade deve ser dada para manter esses estoques. Por fim, deve-se lembrar que, h\u00e1 um limite para o estoque de C nos solos, todavia no Brasil h\u00e1 ainda enormes possibilidades de sequestrar C no solo.<\/p>\n<p><strong>Leguminosas &#8211;<\/strong> A grande vantagem da leguminosa \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o completa das emiss\u00f5es associadas \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes nitrogenados e, possivelmente, emiss\u00f5es de \u00f3xido nitroso (N2O) mais baixas. A fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio (N) por leguminosas tropicais pode exceder 100 kg\/ha\/ano. O N introduzido no sistema pela leguminosa estimula produ\u00e7\u00e3o de forragem, chegando a dobrar a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria seca total.\u00a0 A produ\u00e7\u00e3o de carne em pastagens de braqui\u00e1rias consorciadas com a cultivar Estilosantes Campo Grande (ECG) tem sido de 9 a 34% superiores \u00e0s com a gram\u00ednea solteira. Uma vantagem adicional importante da ECG em consorcia\u00e7\u00e3o com gram\u00edneas, tem sido uma melhor cobertura do solo que ajuda a evitar perdas de solo devido \u00e0 eros\u00e3o, o que \u00e9 mais importante em solos arenosos, para o qual essa cultivar e recomendada.<\/p>\n<p><strong>Pastagem \u00e9 cultura perene &#8211;<\/strong> O ponto mais importante neste contexto \u00e9 lembrar que as pastagens s\u00e3o culturas perenes. Os primeiros pastos da cv. Marandu, plantados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, MS, que s\u00e3o adubados periodicamente, permanecem produtivos at\u00e9 hoje. \u00c9 muito mais vantajoso, do ponto de vista econ\u00f4mico, manter a pastagem produtiva do que periodicamente ter que fazer a reforma da \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Suplementa\u00e7\u00e3o de Pastagens e Confinamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ganhos latentes com a mineraliza\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> No Brasil, a suplementa\u00e7\u00e3o de pastagens deve ser feita o ano todo, pelo menos, com o sal mineralizado. Apesar da suplementa\u00e7\u00e3o mineral ser uma pr\u00e1tica largamente adotada, as estat\u00edsticas mostram que a quantidade produzida de sal mineral \u00e9 insuficiente para a demanda do rebanho. Mesmo para as fazendas que usam rotineiramente o suplemento mineral, h\u00e1 muitos problemas na operacionaliza\u00e7\u00e3o da oferta do produto nas pastagens. H\u00e1, portanto, um ganho latente em desempenho referente a defici\u00eancias em decorr\u00eancia dessas falhas. Essa \u00e9 uma oportunidade de mitiga\u00e7\u00e3o da pegada de carbono bastante interessante do ponto de vista do baixo investimento e, mesmo considerando que, para a maioria dos casos, houvesse apenas discretos aumentos de ganho, ao considerar o tamanho do rebanho brasileiro, o impacto positivo no or\u00e7amento das emiss\u00f5es pode ser positivo.<\/p>\n<p><strong>Ganhos na seca fazem diferen\u00e7a &#8211;<\/strong> Os maiores diferenciais proporcionais em resposta \u00e0 suplementa\u00e7\u00e3o, contudo, est\u00e3o na \u00e9poca da seca, quando a aus\u00eancia do uso dos suplementos adequados leva \u00e0 perda de peso. Mesmo apenas com a suplementa\u00e7\u00e3o de sal com ureia (100 g\/Unidade Animal com 30% de ureia), pode-se esperar, pelo menos, manuten\u00e7\u00e3o de peso. J\u00e1 com o uso de misturas m\u00faltiplas (proteinados), ganhos de 200-400 g\/cabe\u00e7a\/dia s\u00e3o usualmente obtidos. Elas s\u00e3o formuladas para consumo entre 1 a 2 g\/kg de peso vivo. Junto com uso de pasto diferido, os proteinados permitem abater um animal cerca de 12 meses antes de outro que fique apenas no sal mineral. A figura 1 ilustra o efeito da suplementa\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o da idade de abate e na pegada de C.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12235.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-97983729 size-full\" src=\"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12235.jpg\" alt=\"\" width=\"505\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12235.jpg 505w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12235-300x191.jpg 300w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12235-250x159.jpg 250w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12235-283x180.jpg 283w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12235-472x300.jpg 472w\" sizes=\"(max-width: 505px) 100vw, 505px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O uso do proteinado energ\u00e9tico reduziu o tempo at\u00e9 abate em quase um ano (330 dias) e quase reduziu a pegada de C pela metade (De 42,6 para 23,4 kg de CO2-eq.\/kg de ganho). De modo geral, quanto maior a suplementa\u00e7\u00e3o, menor a pegada de C. Isso vale para o &#8220;confinamento em pasto&#8221;, na qual oferta-se ente 1,8-2,0% do PV do animal (na mat\u00e9ria seca, M.S.) e tamb\u00e9m para o confinamento tradicional. No caso dos confinamentos, vale lembrar que tem havido uma ado\u00e7\u00e3o crescente de dietas de alto concentrado, pois: (a) o operacional com pouco volumoso fica facilitado, (b) h\u00e1 aumento de efici\u00eancia alimentar e (c) ganhos elevados favorecem a termina\u00e7\u00e3o dos animais.<\/p>\n<p><strong>Sistemas de Integra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os sistemas de integra\u00e7\u00e3o t\u00eam-se mostrado eficientes na melhoria das propriedades qu\u00edmicas, f\u00edsicas e biol\u00f3gicas, na quebra do ciclo de pragas e doen\u00e7as, no controle de invasoras, no aproveitamento de subprodutos, disponibiliza\u00e7\u00e3o de pasto de alta qualidade na entrada da seca, no incremento da produ\u00e7\u00e3o animal e de gr\u00e3os e no fluxo de caixa.<\/p>\n<p>A lavoura melhora a fertilidade do solo, enquanto a pastagem melhora as propriedades f\u00edsicas do solo. Aumentos nos rendimentos de soja de 200 a 700 kg\/ha foram relatados em \u00e1reas previamente cultivadas com milho intercalado com gram\u00edneas forrageiras perenes. No caso da pecu\u00e1ria, ganhos de peso compar\u00e1veis \u00e0s \u00e1guas podem ser obtidos no pasto safrinha.<\/p>\n<p>Sistemas silvipastoris &#8211; Com 250 a 350 \u00e1rvores de eucalipto\/ha, para corte aos oito at\u00e9 doze anos de idade, produz-se at\u00e9 25 m3\/ha\/ano de madeira, o que corresponde a um sequestro anual de 18 t\/ha de CO2eq.. Este valor equivaleria \u00e0 neutraliza\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de GEE de cerca de 12 bovinos adultos\/ha\/ano. Considerando que a taxa de lota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das pastagens brasileiras \u00e9 de 1,2 animal\/ha, fica evidente a relev\u00e2ncia desses sistemas na remo\u00e7\u00e3o de GEE da atmosfera e na melhoria das condi\u00e7\u00f5es ambientais de sistemas pecu\u00e1rios. Eles seriam os \u00fanicos em que obter\u00edamos a carne 100% sem emiss\u00f5es l\u00edquidas de GEE e com sobra.<\/p>\n<p><strong>Intensifica\u00e7\u00e3o da Pecu\u00e1ria &#8211;<\/strong> H\u00e1 uma clara rela\u00e7\u00e3o entre intensifica\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria e redu\u00e7\u00e3o da pegada de C. A figura 2 ilustra isso.<\/p>\n<p><strong>Figura 2 &#8211;<\/strong> Efeito da intensifica\u00e7\u00e3o na pegada de carbono de uma fazenda hipot\u00e9tica de Rond\u00f4nia com cen\u00e1rios intensificados na situa\u00e7\u00e3o considerando o C solo em equil\u00edbrio (colunas em preto) ou C do solo variando (colunas em branco). Usual: Degradada, Cen\u00e1rio 1: adubada +sele\u00e7\u00e3o dos animais; Cen\u00e1rio 2: corrigida e adubada + cruzamento industrial; Cen\u00e1rio 3: pastejo rotacionado + insemina\u00e7\u00e3o artificial e Cen\u00e1rio 4: irriga\u00e7\u00e3o + marcadores moleculares para a sele\u00e7\u00e3o e cruzamento dos animais (Mazzeto et al. 2015).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12236.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-97983732 size-full\" src=\"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12236.jpg\" alt=\"\" width=\"536\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12236.jpg 536w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12236-300x182.jpg 300w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12236-250x152.jpg 250w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12236-297x180.jpg 297w, https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/12236-495x300.jpg 495w\" sizes=\"(max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quanto considerado o C do solo em equil\u00edbrio (sem emiss\u00e3o ou sequestro), h\u00e1 not\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o: a pegada de C do Cen\u00e1rio 4 \u00e9 menos da metade do Cen\u00e1rio 1. Quando inclu\u00edmos a varia\u00e7\u00e3o do C no solo, o cen\u00e1rio intensivo \u00e9 10 vezes menor PC que o &#8220;Usual&#8221;. Nos Cen\u00e1rios 3 e 4, o fato das colunas pretas estarem acima das brancas \u00e9 porque, nestes Cen\u00e1rios est\u00e1 havendo sequestro de C pelo solo. Outro aspecto importante \u00e9 que, mesmo no mais intensivo, a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria seria emissora l\u00edquida de CO2.<\/p>\n<p>Corroborando esses resultados um trabalhando comparando fazendas envolvidas em programas de intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel tiveram pegadas de C at\u00e9 36% menores que fazendas que n\u00e3o participam de nenhum programa.<\/p>\n<p><strong>O outro lado da intensifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O desafio que se tornou o combate ao aquecimento global tem feito com que o foco seja dirigido para ele. \u00c9 importante n\u00e3o perder de vista que podemos estar deteriorando outros aspectos ambientais ao intensificar a atividade. Essa vigil\u00e2ncia pode permitir ajustes de rumo na intensifica\u00e7\u00e3o de forma a ter um resultado final interessante, inclusive do ponto de vista econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Para mostrar como andam alguns \u00edndices ambientais e de intensifica\u00e7\u00e3o \u00e9 interessante saber que uma tonelada de carne produzida no Reino Unido usa cinco vezes mais energia, causa 1,5 vezes maior eutrofiza\u00e7\u00e3o, seis vezes mais acidifica\u00e7\u00e3o e usa 2,5 vezes mais pesticidas do que uma tonelada nas condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias brasileiras. A pegada de C da tonelada brit\u00e2nica, todavia seria menor. Ao intensificarmos, podemos ficar com uma pegada de C menor, mas certamente pioraremos os demais indicadores, reduzindo as diferen\u00e7as citadas acima.<\/p>\n<p>A mensagem, portanto, \u00e9 que precisamos tamb\u00e9m nos preocupar com outros \u00edndices ambientais al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o de GEE. Uma vez que n\u00e3o \u00e9 trivial fazer o monitoramento deles, \u00e9 interessante que procuremos explorar nossa efici\u00eancia produtiva em sistemas com menor necessidade de input de recursos, pois, mesmo que n\u00e3o tenhamos as mensura\u00e7\u00f5es dos \u00edndices sabemos que essa estrat\u00e9gia garante menor impacto ambiental.<\/p>\n<p>Um exemplo disso \u00e9 que o uso de suplemento no pasto \u00e9 uma forma conveniente de aumento de produ\u00e7\u00e3o, mas que pode mascarar manejos de pastagem abaixo do ideal. Nesse caso, trocamos um potencial inexplorado com menor input, por desempenho nem sempre t\u00e3o maior, mas com maior gasto de energia (do pr\u00f3prio concentrado e a energia dispendida na sua produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Colocado de outra maneira, a quest\u00e3o \u00e9: Estamos usando todo o potencial produtivo das nossas forrageiras? Conhecemos suficientemente as intera\u00e7\u00f5es entre o fornecimento do suplemento e o aproveitamento da forrageira? Esses s\u00e3o alguns dos pontos em que h\u00e1 oportunidades de, atrav\u00e9s da experimenta\u00e7\u00e3o, ter resultados melhores com menor necessidade de recursos externos.<\/p>\n<p><strong>Pecu\u00e1ria de precis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A pecu\u00e1ria de precis\u00e3o pode ajudar no aumento da efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o animal. A nutri\u00e7\u00e3o de precis\u00e3o \u00e9 uma das ferramentas em destaque para redu\u00e7\u00e3o da pegada de C, pois dietas balanceadas evitam menor desempenho pelo n\u00e3o atendimento das exig\u00eancias (subnutri\u00e7\u00e3o), bem como, opostamente, evitam perdas ao ambiente do excesso de nutrientes (supernutri\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O barateamento de sensores e de c\u00e2meras dos mais diferentes tipos permite a cria\u00e7\u00e3o de ferramentas que podem ajudar no monitoramento e automa\u00e7\u00e3o de atividades, dando condi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de interfer\u00eancia nos processos produtivos. Por exemplo, sensores de temperatura corporal, podem ser usados para melhorar a detec\u00e7\u00e3o de estro no campo, auxiliando a obten\u00e7\u00e3o de melhores \u00edndices de fertilidade. Tamb\u00e9m est\u00e3o sendo desenvolvidas ferramentas que, por detec\u00e7\u00e3o de imagem, poder\u00e3o ajudar a identificar animais que j\u00e1 estejam terminados, evitando mant\u00ea-lo mais tempo do que o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Aplicativos para dispositivos m\u00f3veis<\/strong><\/p>\n<p>Uma ferramenta que definitivamente passou a fazer parte de todos nas fazendas \u00e9 o celular. Ainda que tenhamos problema de cobertura de sinal nas \u00e1reas rurais, h\u00e1 um plano de p\u00fablico de universaliza\u00e7\u00e3o que promete, em breve, democratizar o acesso \u00e0 Internet. J\u00e1 existem in\u00fameros aplicativos espec\u00edficos para pecu\u00e1ria, voltadas para as mais variadas atividades: compra e venda de animais, gest\u00e3o do rebanho, gerenciamento da reprodu\u00e7\u00e3o ou nutri\u00e7\u00e3o e v\u00e1rios outros.<\/p>\n<p>Recentemente, a Embrapa Gado de Corte lan\u00e7ou o &#8220;Pasto Certo&#8221; que permite ao usu\u00e1rio identificar\/diferenciar cultivares e se informar sobre as principais recomenda\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es das principais cultivares de forragem do Brasil. Ele ajuda o pecuarista a acertar na escolha da forrageira para sua condi\u00e7\u00e3o local e seus objetivos, o que tem repercuss\u00e3o por toda a vida \u00fatil daquela pastagem. Outro aplicativo, o Suplementa Certo, lan\u00e7ado em julho de 2013 e atualizado em outubro de 2014, ruma para os 30 mil downloads. Ele \u00e9 uma calculadora de custo benef\u00edcio, permitindo ao produtor fazer uma escolha consciente sobre a suplementa\u00e7\u00e3o de determinado lote na seca. Especialmente no caso de simula\u00e7\u00f5es envolvendo o uso de proteinados, como usualmente os resultados de benef\u00edcio:custo costumam ser muito atraentes, o aplicativo acaba estimulando a ado\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica, algo que, de fato, desejava-se quanto ele foi idealizado. Esses s\u00e3o dois exemplos de como tecnologias simples podem ajudar no aumento da efici\u00eancia e na redu\u00e7\u00e3o da pegada de carbono.<\/p>\n<p><strong>Usando a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI) para otimizar sistemas de produ\u00e7\u00e3o como um todo<\/strong><\/p>\n<p>Sistemas computacionais s\u00e3o usados na pecu\u00e1ria para otimizar dietas ou o gerenciamento de um confinamento, mas s\u00e3o sempre limitados \u00e0 unidade produtora que atendem. A Internet permite romper esse limite.<\/p>\n<p>Uma das formas de fazer isso seria com a cria\u00e7\u00e3o de um Portal de Internet que tivesse bancos de dados, com informa\u00e7\u00f5es georeferenciadas, de fazendas, de prestadores de servi\u00e7o de frete de carga e animais e de insumos, inclusive alimentos.<\/p>\n<p>A melhor maneira de entender essa proposta \u00e9 atrav\u00e9s de um exemplo, o que faremos a seguir. Assim, do banco de dados deste Portal constaria uma fazenda com instala\u00e7\u00f5es de confinamento vazias com capacidade para 100 animais, com sobra de volumoso e dos demais ingredientes para confinar essa quantidade de animais, exceto pelo suplemento proteico que precisaria ser adquirido. Em outra fazenda, relativamente pr\u00f3xima e sem estrutura para confinar, estariam 100 animais com o peso ideal para entrar no confinamento e numa propriedade com situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito folgada de disponibilidade de pastagens, isto \u00e9, sendo vantagem tir\u00e1-los da pastagem. Nos bancos de dados haveria, ainda, os custos das transportadoras para levar os animais de uma fazenda para outra e dos fornecedores do suplemento proteico, bem como os pre\u00e7os dos ingredientes usualmente consumidos e do pre\u00e7o de mercado dos animais, no caso usando pre\u00e7os de bois magros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos bancos de dados, o portal teria um aplicativo central com um otimizador de dietas capaz de encontrar a dieta de m\u00ednimo custo da arroba. Com as informa\u00e7\u00f5es das duas fazendas, dos fornecedores de insumos e transportadoras, o aplicativo calcularia uma dieta para os 100 animais e demais custos de confinamento cujo valor da arroba produzida seria atraente, ou seja, bem abaixo das apostas mais conservadoras do dia previsto para os animais serem comercializados. O aplicativo ent\u00e3o dispararia mensagens avisando os envolvidos da possibilidade de neg\u00f3cio, podendo at\u00e9 sugerir o modelo de neg\u00f3cio. Por exemplo, o dono dos animais poderia apenas entregar os animais e esperaria o valor de venda, ganhando proporcionalmente nas arrobas ganhas, descontados os custos do confinamento ou, alternativamente, vender os animais para o confinamento.<\/p>\n<p>Na hip\u00f3tese do neg\u00f3cio ter sido concretizado, al\u00e9m do ganho econ\u00f4mico, a lista de vantagens seria a seguinte:<\/p>\n<p>1) Os animais teriam sido abatidos precocemente;<\/p>\n<p>2) As pastagens da fazenda de onde sa\u00edram os animais ficariam com uma lota\u00e7\u00e3o menor, o que melhoraria a produtividade, em fun\u00e7\u00e3o de maior ganho individual dos animais que ficaram;<\/p>\n<p>3) A fazenda do confinamento aumentaria o uso de sua estrutura e reduziria a ociosidade de suas m\u00e1quinas, diluindo os custos fixos.<\/p>\n<p>4) A fazenda do confinamento teria usado o estoque de alimentos que estava sobrando, reduzindo os custos de estocagem e evitando perda de qualidade com a estocagem dos alimentos por muito tempo (por exemplo, pelo ataque de pragas, como o caruncho);<\/p>\n<p>5) A empresa de insumos realizaria uma venda que, sem o sistema, jamais teria feito. Como o neg\u00f3cio s\u00f3 ocorre por ser atraente, provavelmente essa venda deve ter uma import\u00e2ncia ainda maior no fluxo de caixa da empresa;<\/p>\n<p>6) A empresa que transportou os animais realizou mais um frete que, provavelmente, tenha sido por pre\u00e7o abaixo do mercado (afinal, viabilizou o neg\u00f3cio), havendo grandes chances de ser um frete de retorno.<\/p>\n<p>Na maioria delas \u00e9 clara a vantagem em menor emiss\u00e3o de GEE, conforme discutimos ao longo do texto. Isso \u00e9 especialmente certo para os Itens 1, 2, 4. O item 6, de transporte, tem a chance de ser mitigador, tamb\u00e9m, no caso de frete de retorno.<\/p>\n<p>Outra vantagem seria a cria\u00e7\u00e3o dessa rede de atores da cadeia, que propiciaria ainda mais neg\u00f3cios entre eles. O fato do neg\u00f3cio ser realizado por interfer\u00eancia do Portal d\u00e1 transpar\u00eancia \u00e0s opera\u00e7\u00f5es e permite identificar participantes que hajam em desacordo com boas pr\u00e1ticas de negocia\u00e7\u00e3o, que seriam mal avaliados. Isso garantiria maior confiabilidade entre os participantes no Portal.<\/p>\n<p><strong>As informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o Portal seriam:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Unidades F\u00edsicas:<\/strong> Confinamentos, Fazendas, Empresas de ra\u00e7\u00e3o e alimentos, Empresas de transportes e Empresas de insumos que se inscreveriam no Portal, preenchendo um cadastro com informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas.<\/p>\n<p><strong>Dist\u00e2ncias:<\/strong> Dist\u00e2ncias entre as unidades f\u00edsicas. Elas podem ser estimadas pelo endere\u00e7o, pelas coordenadas geogr\u00e1ficas ou por informa\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7os: <\/strong>pre\u00e7os de animais, ingredientes e servi\u00e7os (como frete ou di\u00e1rias de confinamento). Preferencialmente elas deveriam ser valores autodeclarados, mas podem tamb\u00e9m ser usados valores de mercado (recuperados da Internet, por exemplo).<\/p>\n<p><strong>Animais dispon\u00edveis:<\/strong> Animais que podem ser terminados em confinamento. O pre\u00e7o do animal ser\u00e1 informado pelo propriet\u00e1rio junto com informa\u00e7\u00f5es como peso, data da pesagem, ra\u00e7a, sexo, escore do corpo e regimes alimentares pr\u00e9vios.<\/p>\n<p><strong>Alimentos dispon\u00edveis: <\/strong>Alimentos estocados nas fazendas e confinamentos (como ingredientes que sobraram do confinamento anterior).<\/p>\n<p>Espa\u00e7o f\u00edsico dispon\u00edvel para animais no confinamento: Fazendas onde h\u00e1 lugares vagos para receber animais e a faixa de datas que estariam dispon\u00edveis (De dd\/mm\/aa at\u00e9 dd\/mm\/aa).<\/p>\n<p>Matriz do valor nutritivo dos alimentos: Uma matriz do valor nutritivo dos alimentos padr\u00e3o estaria dispon\u00edvel, mas que aceitaria atualiza\u00e7\u00e3o para os valores do usu\u00e1rio, caso dispon\u00edveis. Tamb\u00e9m, novos alimentos poderiam ser inclu\u00eddos. Para todos os ingredientes um valor m\u00e1ximo de inclus\u00e3o na dieta poderia ser informado.<\/p>\n<p>O Portal basicamente combina as informa\u00e7\u00f5es para achar a dieta para os animais dispon\u00edveis a serem confinados, de maneira que eles possam ser terminados em vagas ociosas de um ou v\u00e1rios confinamentos com o m\u00ednimo custo por arroba poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Uma das formas de fazer neg\u00f3cios com o uso do Portal seria o propriet\u00e1rio do confinamento ser o \u00fanico a receber o aviso e ele faria contato com os demais. No entanto, existe um potencial para arranjos mais sofisticados. Por exemplo, o Portal pode gerar um relat\u00f3rio sugerindo a melhor op\u00e7\u00e3o para cada participante contribuir para que os riscos sejam reduzidos. Um exemplo dessa contribui\u00e7\u00e3o seria o fornecedor dos animais esperar pela venda para ser pago. Outro exemplo poderia ser um fornecedor que reduz o pre\u00e7o de um ingrediente chave para tornar a dieta vi\u00e1vel, mas, consequentemente, ganhe a chance de obter mais, se os resultados previstos forem obtidos.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o dos acordos firmados entre as partes, ap\u00f3s resultados finais, os resultados consolidados podem ser compartilhados. Se os resultados finais forem maiores do que o esperado (maior desempenho e\/ou pre\u00e7o maior do que o estimado), eles receberiam um valor extra (tamb\u00e9m previamente acertado). No caso de resultados abaixo das expectativas, poderia ser feito um arranjo para que cada parte arcasse proporcionalmente com ele, de maneira diluir esse risco entre todos os participantes.<\/p>\n<p>O ponto cr\u00edtico no uso do Portal para fazer neg\u00f3cios \u00e9 exatamente o grau de confiabilidade das previs\u00f5es. Ser conservador seria uma das abordagens para enfrent\u00e1-lo. Outra maneira seria informando as probabilidades dos resultados e\/ou de qualquer outra informa\u00e7\u00e3o que esclare\u00e7a as limita\u00e7\u00f5es do Portal.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 que com as tecnologias dispon\u00edveis, a constru\u00e7\u00e3o de um sistema desses \u00e9 perfeitamente vi\u00e1vel. Uma evolu\u00e7\u00e3o natural seria, com o tempo, e usando tecnologias como sensoriamento remoto, modelagem e ferramentas autom\u00e1ticas de determina\u00e7\u00e3o de disponibilidade de forragem us\u00e1-lo tamb\u00e9m para realoca\u00e7\u00e3o de animais de fazendas com menor disponibilidade de pasto para outras onde houvesse sobra, com todas as quest\u00f5es econ\u00f4micas envolvidas resolvidas entre os negociadores intermediados (friamente) pelo sistema. A imparcialidade e transpar\u00eancia do sistema seriam os garantidores do neg\u00f3cio justo entre as partes.<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos impactos da atividade pecu\u00e1ria na emiss\u00e3o de GEE, fica claro que op\u00e7\u00f5es interessant\u00edssimas, n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o dispon\u00edveis, como s\u00e3o atraentes do ponto de vista econ\u00f4mico. Ao mesmo tempo, novas oportunidades t\u00eam surgido e ampliam nossa capacidade de enfrentar o desafio de aumentar nossa efici\u00eancia produtiva. Alguns pontos merecem destaque:<\/p>\n<p>&#8211; A maioria dos cen\u00e1rios mostra que a pecu\u00e1ria \u00e9 emissora l\u00edquida de GEE, sendo que a \u00fanica alternativa que garantiria nas mais diversas circunst\u00e2ncias a carne produzida sem emiss\u00e3o l\u00edquida seria os sistemas de integra\u00e7\u00e3o com o componente arb\u00f3reo.<\/p>\n<p>&#8211; Todavia, os sistemas silvipastoris ou agrossilvipastoris s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o limitada a \u00e1rea em que s\u00e3o vi\u00e1veis de serem explorados, o que torna essa alternativa restrita.<\/p>\n<p>&#8211; A melhor quantifica\u00e7\u00e3o de outras fontes de mitiga\u00e7\u00e3o, com o caso de sequestro de C pelo solo, pode reduzir a pegada de C da carne produzida em pastagem no Brasil.<\/p>\n<p>&#8211; A carne com emiss\u00e3o nula de C, portanto, deveria ser considerada tamb\u00e9m quando a neutraliza\u00e7\u00e3o \u00e9 parcial. Usando o cen\u00e1rio 2 da figura 3 como exemplo, temos que a PC era de 30 kg de CO2-eq\/kg de carca\u00e7a sem considerar o sequestro de C pelo solo, mas apenas 14 kg de CO2-eq\/kg de carca\u00e7a, quando ele \u00e9 considerado. Assim, isso equivale a considerar que o sequestro de C neutralizou 53% das emiss\u00f5es ou que 530 g de cada kg de carca\u00e7a produzida \u00e9 carne com emiss\u00e3o nula de C.<\/p>\n<p>&#8211; O aumento do uso de cons\u00f3rcios de gram\u00edneas com leguminosas ajudaria na redu\u00e7\u00e3o da pegada de C, pois ela ajuda em v\u00e1rios aspectos da produ\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o de novas cultivares e o aprimoramento do manejo dos cons\u00f3rcios devem ser incentivados.<\/p>\n<p>&#8211; O denominador da pegada de C geralmente \u00e9 kg de carne ou de carca\u00e7a. Seria interessante avaliar a pertin\u00eancia de fazer por quilograma de peso vivo, visto que 100% da carca\u00e7a dos bovinos entra no ambiente produtivo. Pelo menos nos ACVs, dever-se-ia considerar todas as emiss\u00f5es evitadas com o uso de subprodutos da bovinocultura de corte.<\/p>\n<p>O desafio continua sendo incentivar a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel pelos produtores. Novas tecnologias e desenvolvimentos que podem ser vislumbrados para futuros n\u00e3o muito distantes (como edi\u00e7\u00e3o g\u00eanica, por exemplo) podem ampliar nossa capacidade de produzir com menos impacto e, porque n\u00e3o, acreditar que a carne com emiss\u00e3o nula de GEE pode ser uma dia a regra, n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>MAZZETTO, A. M.; FEIGL, B. J.; SCHILS, R. L. M.; CERRI, C. E. P; CERRI, C. C. 2015. Improved pasture and herd management to reduce greenhouse gas emissions from a Brazilian beef production system. Livest. Sci. 175:101-112.<\/p>\n<p>MEDEIROS, S.R.; ALMEIDA, R.A.; BARIONI, L.G.; MARINO, C.T. Mitiga\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa em sistemas de produ\u00e7\u00e3o animal em pastagens &#8211; Em busca da carne com emiss\u00e3o zero. In: 28\u00ba Simp\u00f3sio de Manejo de Pastagens &#8211; As Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e as Pastagens &#8211; Desafios e Oportunidades. Edi\u00e7\u00e3o (Pedreira, C.G.S.; Silva, S.C.; Santos, P.M.; Moura, J.C.). Piracicaba:Fealq 2017.<\/p>\n<p>RUVIARO, C. F.; L\u00c9IS, C. M.; LAMPERT, V. N.; BARCELLOS, J. O. J.; DEWES, H. 2015. Carbon footprint in different beef production systems on a southern Brazilian farm: a case study. J. Clean. Prod. 96:435-443.<\/p>\n<p>[1] Valores e uma ferramenta para ajudar nesta tarefa podem ser encontradas no link <span style=\"color: #0000ff;\"><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/gado-de-corte\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/970497\/regua-de-manejo-de-pastagens\">https:\/\/www.embrapa.br\/gado-de-corte\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/970497\/regua-de-manejo-de-pastagens<\/a><\/span><\/p>\n<p><strong><em>*Sergio Raposo de Medeiros \u00e9 pesquisador da Embrapa Gado de Corte.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda como \u00e9 poss\u00edvel mitigar a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa por meio do manejo correto de pastagens<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":97983730,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1],"tags":[],"class_list":["post-97983728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-noticia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.8.1 - 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