{"id":97987791,"date":"2018-05-24T09:25:59","date_gmt":"2018-05-24T12:25:59","guid":{"rendered":"http:\/\/acrimat.org.br\/portal\/?p=97987791"},"modified":"2018-05-24T16:42:27","modified_gmt":"2018-05-24T19:42:27","slug":"com-mais-calcario-mt-pode-colher-ainda-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/com-mais-calcario-mt-pode-colher-ainda-mais\/","title":{"rendered":"Com mais calc\u00e1rio MT pode colher ainda mais"},"content":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria do calc\u00e1rio em Mato Grosso est\u00e1 otimista para esse ano. Depois de uma crise em 2015 que culminou numa queda de 15% na procura pelo insumo, vem gradualmente se recuperando. Em 2018, o segmento espera ultrapassar os \u00edndices de 2004 e 2012 que foram os maiores j\u00e1 atingidos pelo setor na ordem de 6, 4 milh\u00f5es de toneladas. Hoje, o Estado conta com 34 industrias de Calc\u00e1rio, que juntas somam uma capacidade instalada de 14 milh\u00f5es de toneladas, operando com uma ociosidade de mais de 50%, o que garante um bom atendimento ao agricultor mesmo que essa demanda aumente repentinamente.<\/p>\n<p>Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, anima o setor trazendo a luz da ci\u00eancia \u00e0s pr\u00e1ticas dos produtores. Dados do estudo apontam que a f\u00f3rmula tradicional usada pelos produtores, baseada em manuais da Embrapa no Sul do pa\u00eds, \u00e9 insuficiente para as caracter\u00edsticas do solo \u00e1cido do cerrado mato-grossense. O produtor, em m\u00e9dia, s\u00f3 usa 2 toneladas do insumo, quando deveria usar 4 ou 5 toneladas, conforme aponta a pesquisa da UFMT, liderada pelo professor doutor Anderson Lange. O estudo come\u00e7ou a ser realizado e catalogado em 2014.<\/p>\n<p>Os resultados observados ao longo dessas quatro safras v\u00eam entusiasmando a equipe do pesquisador. Em meio \u00e0s an\u00e1lises t\u00e9cnicas, uma observa\u00e7\u00e3o importante: essa f\u00f3rmula de calcariar tamb\u00e9m se aplica \u00e0 pecu\u00e1ria. Apesar dos pecuaristas n\u00e3o terem a pr\u00e1tica usual de adubar e calcariar o pasto, esse procedimento tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio, o que revela que h\u00e1 uma demanda represada por mais calc\u00e1rio no Estado. Mais calc\u00e1rio no pasto, sin\u00f4nimo de pastagem mais robusta e nutritiva para engorda do rebanho.<\/p>\n<p>Em pesquisa mais recente, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Calc\u00e1rio Agr\u00edcola (Abracal) apontou que foram comercializadas em todo o Brasil 33 milh\u00f5es de toneladas de calc\u00e1rio em 2016. Mato Grosso se destaca entre os maiores Estados produtores de calc\u00e1rio do Brasil. No Estado temos 20 empresas que comercializam calc\u00e1rio e contam com 34 plantas industriais sendo a grande maioria filiada ao Sindicato das Ind\u00fastrias de Extra\u00e7\u00e3o do Calc\u00e1rio do Estado de Mato Grosso (Sinecal-MT).<\/p>\n<p>E o mercado j\u00e1 percebe o potencial desse nicho, dado que a m\u00e3o-de-obra do segmento representa 1.400 empregos diretos e 7.000 indiretos. Desses 7.000, 4.000 englobam a \u00e1rea de transporte (caminhoneiros, chapa e frete). Cerca de 47% do calc\u00e1rio em Mato Grosso sai de Nobres (distante 151 km de Cuiab\u00e1). O munic\u00edpio produz 2,9 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Nobres, comercializam calc\u00e1rio agr\u00edcola os munic\u00edpios de Jangada, C\u00e1ceres, Cocalinho, Tangar\u00e1 da Serra, Nova Xavantina, Porto Estrela, Primavera do Leste e Paranatinga. O faturamento bruto do setor movimenta R$ 350 milh\u00f5es ao ano. Se considerarmos o frete a essa conta o valor que circula na economia regional em fun\u00e7\u00e3o do mercado de calc\u00e1rio aumenta em R$ 500 milh\u00f5es. Ou seja, ao ano o setor de calc\u00e1rio mais o seu respectivo frete, movimenta R$ 850 milh\u00f5es ao ano.<\/p>\n<p>Dentro desse valor total, uma receita consider\u00e1vel \u00e9 destinada ao pagamento do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os (ICMS) sobre energia e insumos de produ\u00e7\u00e3o. Principais impostos que incidem sobre o calc\u00e1rio s\u00e3o PIS (Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social), COFINS (Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social), CFEM (Compensa\u00e7\u00e3o financeira pela explora\u00e7\u00e3o dos recursos minerais) IR (Imposto de Renda) e ICMS sobre a brita.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o m\u00e9dio do calc\u00e1rio agr\u00edcola em Mato Grosso \u00e9 de R$ 53,00 a tonelada. \u00c9 um dos segmentos industriais mais antigos de Mato Grosso e foi seu desenvolvimento que permitiu dar suporte para o in\u00edcio e expans\u00e3o das atividades agr\u00edcolas em larga escala no Estado na d\u00e9cada de 1970, per\u00edodo em que migrantes de v\u00e1rios pontos do Brasil, sobretudo de S\u00e3o Paulo e do Sul, vieram para Mato Grosso em busca do sonho brasileiro de aquisi\u00e7\u00e3o de terra e prosperidade.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o ser poluente, o calc\u00e1rio \u00e9 aliado da sustentabilidade, al\u00e9m de ser aceito em diferentes tipos de solo e perfis de atividades agropecu\u00e1rias (como o cultivo de soja e milho, por exemplo). A extra\u00e7\u00e3o do insumo \u00e9 feita em \u00e1reas de pequeno porte. A explora\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio no Estado de Mato Grosso abrange uma \u00e1rea de apenas 700 hectares somando as 34 industrias.<\/p>\n<p>Depois de extra\u00eddas, essas \u00e1reas passam por um manejo para recupera\u00e7\u00e3o ambiental, sob supervis\u00e3o e norma do Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Na semana em que se aproxima a data em que \u00e9 comemorado o Dia do Calc\u00e1rio Agr\u00edcola, 24 de maio, o pesquisador da UFMT de Sinop refor\u00e7a a necessidade de maior incentivo ao uso da calagem para corre\u00e7\u00e3o da acidez do solo. &#8220;Calc\u00e1rio a mais na lavoura n\u00e3o \u00e9 luxo ou exagero. \u00c9 garantia de mais renda para o produtor&#8221;, destaca o professor Lange.<\/p>\n<p>Hoje, 30% do Estado apresenta V% (Satura\u00e7\u00e3o por Bases) na faixa de 35% a 45% do Estado est\u00e3o com V% abaixo com de 35%. Isso evidencia uma car\u00eancia de fertilidade de solo. Esse dado chama aten\u00e7\u00e3o em levantamento feito com 20 mil amostras de solo em diferentes regi\u00f5es do Estado. A literatura t\u00e9cnica aponta que a cada ano o \u00edndice de V% cai cerca de dez pontos e, por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que o produtor que preza pela produtividade em seu neg\u00f3cio suplemente as doses de calc\u00e1rio para que o V% se mantenha pr\u00f3ximo a 60%.<\/p>\n<p>Conforme pesquisa da UFMT, o incremento na aplica\u00e7\u00e3o de doses de calc\u00e1rio nas lavouras mato-grossenses assegura que produtores rurais, tanto na agricultura quanto na pecu\u00e1ria, consigam maior produtividade e renda em suas respectivas atividades. Os resultados apurados mostram que, no caso da soja, por exemplo, a amplia\u00e7\u00e3o em duas vezes no volume aplicado por hectare pode fazer a produtividade no Mato Grosso saltar da m\u00e9dia estadual de 55 sacas\/ha para 60 sacas\/ha, se houver um bom manejo da lavoura.<\/p>\n<p>Os estudos foram desenvolvidos em uma propriedade rural a cerca de 20 quil\u00f4metros da UFMT de Sinop, \u00e0s margens da BR-163, e no pr\u00f3prio campus, onde plantas s\u00e3o cultivadas em vasos numa estufa monitorada. Todo o desenvolvimento dos p\u00e9s de soja e milho \u00e9 mensurado, sistematicamente, por professores e pelos alunos que auxiliam no trabalho cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Quatro safras depois da aplica\u00e7\u00e3o de altas doses de calc\u00e1rio em campo, os resultados de uma dose dobrada ficam evidentes: p\u00e9s de soja com mais vagens, mais ramos, redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de abortamento das plantas, com o chamado &#8220;efeito cimento&#8221; ampliado, que significa vagens mais &#8220;pregadas&#8221; \u00e0 planta, mais firmes.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, em Mato Grosso o calc\u00e1rio dolom\u00edtico foi e \u00e9 largamente utilizado, o que pode ter levado alguns tipos e \u00e1reas de solo a um desequilibro entre os nutrientes c\u00e1lcio e magn\u00e9sio. Assim, o calc\u00e1rio calc\u00edtico, que cont\u00e9m maior porcentagem de c\u00e1lcio, pode melhorar a rela\u00e7\u00e3o Ca\/Mg no solo, e por isso, \u00e9 mais ben\u00e9fico, trazendo melhores resultados ao tipo de solo predominante em Mato Grosso.<\/p>\n<p>Segundo o Sinecal-MT, o consumo de calc\u00e1rio calc\u00edtico no Estado corresponde a 10% das comercializa\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 no planejamento do professor Lange implantar experimentos em outras quatro regi\u00f5es do Estado, ainda em 2018.<\/p>\n<p><strong>Outros dados<\/strong><\/p>\n<p>O setor contribui e segue contribuindo para o desenvolvimento do Estado. Conforme a Famato, em Mato Grosso h\u00e1 mais de 34 mil produtores rurais. Esses produtores s\u00e3o os que est\u00e3o enquadrados legalmente no Sistema CNA (Confedera\u00e7\u00e3o de Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil).<\/p>\n<p>A expans\u00e3o do calc\u00e1rio viabiliza a explora\u00e7\u00e3o mais intensificada em outros mercados, como a pecu\u00e1ria gerando mais empregos. Segundo a Acrimat, o Estado possui 100 mil propriedades cadastradas na Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) como produtoras de gado bovino. Considerando esse grande universo pecu\u00e1rio, nos pr\u00f3ximos meses, os pesquisadores da UFMT dar\u00e3o in\u00edcio a um estudo espec\u00edfico alusivo \u00e0 calagem em pastos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria do calc\u00e1rio em Mato Grosso est\u00e1 otimista para esse ano<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":97987792,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1],"tags":[],"class_list":["post-97987791","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-noticia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.8.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Com mais calc\u00e1rio MT pode colher ainda mais - Acrimat<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/acrimat.org.br\/portal\/com-mais-calcario-mt-pode-colher-ainda-mais\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Com mais calc\u00e1rio MT pode colher ainda mais - 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