Produtores investem cerca de R$ 20 bilhões por ano para preservar meio ambiente

Diretor da Acrimat lembrou da importância do uso da tecnologia na pecuária: ela assegura que a nossa atividade aumente sua produtividade em perfeita sintonia com a conservação ambiental”.
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O pesquisador Evaristo de Miranda, chefe geral da Embrapa Territorial, destacou em live realizada na noite desta terça (02) que os produtores rurais brasileiros investem cerca de R$ 20 bilhões por ano para preservar o meio ambiente. Esta foi uma das várias informações que trouxeram à luz dados relevantes sobre a atividade agropecuária no Brasil.

Evaristo debateu com os representantes da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Agenor Vieira de A. Neto​, 1ª diretor secretário, e Francisco de Sales Manzi, diretor técnico, o tema “Mitos e fatos sobre a agropecuária e o meio ambiente”.

Agrônomo, com mestrado e doutorado em Ecologia pela Universidade de Montpellier (França), Evaristo estruturou e dirigiu três centros nacionais de pesquisa da Embrapa, é autor de mais de 40 livros e de centenas de publicações técnicas e de divulgação no Brasil e no exterior, além de ser membro do Conselho Superior do Agronegócio da FIESP e da Academia Nacional de Agricultura, o que lhe confere autoridade para falar sobre o assunto em questão.

“É importante que a sociedade tenha compreensão da atividade agropecuária”, disse Evaristo, antes de começar a falar sobre como os produtores rurais protegem a natureza no Brasil. “As áreas protegidas de vegetação nativa em unidades de conservação integral e terras indígenas somam 24,2% do nosso território; isso quer dizer que o total de áreas protegidas no Brasil equivale a superfície de 15 países da União Europeia”, informou o agrônomo.

Outro dado apresentado por Evaristo mostra que o Brasil é o país com a mais ampla rede de áreas terrestres protegidas do mundo. “Estas informações foram compiladas pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos, a Nasa, a pedido da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)”.

Outro dado interessante é referente a proteção da vegetação nativa em áreas rurais. Segundo Evaristo, 25,6% do território nacional dedicado a preservação da vegetação nativa está localizada em imóveis rurais. “O papel do produtor é importantíssimo na preservação do meio ambiente, e esta é uma informação que deve ser levado ao conhecimento de todo cidadão brasileiro”.

Para o presidente da Acrimat, Oswaldo Ribeiro, tais números demonstram que o brasileiro é um povo que tem conhecimento do seu papel enquanto agente ativo na preservação do meio ambiente. “Devemos nos orgulhar do trabalho que fazemos na preservação de nossos recursos naturais, não só pecuaristas e agricultores, mas a nação como um todo”.

Números

Outra informação apresentada por Evaristo mostra que os produtores rurais têm um patrimônio imobilizado em prol do meio ambiente de R$ 3,5 trilhões. “São números que compravam que não existe profissional que mais protege o meio ambiente que aqueles que vivem da terra; nossos pecuaristas e agricultores fazem um excelente trabalhando defendendo nossos tesouros naturais, e isso deve ser reconhecido”.

Mato Grosso

O pesquisador da Embrapa ressaltou que o produtor mato-grossense é um caso que deve ser estudado. “A área dedicada a vegetação nativa em MT ultrapassa os 65%; a média de área preservada no estado chega a 50%, isso quer dizer que o produtor usa apenas metade de suas terras, a outra metade é destinada à preservação”.

Agenor Vieira, diretor da Acrimat, contextualizou alguns números da pecuária mato-grossense. “Em 1999, Mato Grosso possuía 17,6 milhões de cabeças de gado em aproximadamente 23,1 milhões de hectares, 20 anos depois o rebanho mato-grossense chegou a 30 milhões de cabeças, mas a área usada para criação se manteve praticamente igual: 23,7 milhões/ha. Isso significa um aumento de 72% no tamanho do nosso rebanho”.

Agenor destacou tais desafios colocados a pecuária são superados a partir do momento que se faça o uso de novas tecnologias. “Estas tecnologias asseguram que a atividade pecuária aumente sua produtividade em perfeita sintonia com a conservação ambiental”.

Os dados foram recebidos com alegria por Evaristo, que mais uma vez salientou que tais números revelam ‘um amplo panorama da atual sustentabilidade do setor agrícola e pecuário brasileiro’.

“Apresentamos aqui elementos concretos e inéditos que jogam uma nova luz sobre o setor, apresentando como a preservação de milhões de propriedades rurais com vegetação nativa; a força da produção da agroenergia e florestais; o avanço no uso de agentes biológicos; a pecuária verde e a reciclagem agrícola confirmam a natureza do Brasil de ser o país que mais preserva o meio ambiente no mundo”.